Tarot: como utilizar essa fonte?

Tarot: como utilizar essa fonte?

O Tarot é uma ferramenta de autoconhecimento que, desde sua origem, causou má interpretação aos arredores que percorria. As primeiras cartas de Tarot datam do século XIV, embora a sua origem não seja completamente comprovada. 

Há relatos que a verdadeira origem das figuras que compõem as cartas foram encontradas nas paredes da pirâmide de Gizé, no antigo Egito. Mas também há quem denote a sua origem aos indianos e chineses e posteriormente, à chegada na Europa através dos ciganos.

Dentre a imensa variedade de baralhos criados, o que tornou-se mais conhecido mundialmente foi o Tarot de Marselha, que sobreviveu e iluminou-se da cidade litorânea francesa, Marselha. Em decorrência desse Tarot, a base clássica desse instrumento foi estabelecida por 78 cartas: os 22 arcanos maiores e os 56 arcanos menores.

A questão é que inúmeras ideias contrárias ao Tarot acabaram por transformá-lo em significados um tanto equivocados. Ou seja, para muitas pessoas, a verdadeira essência do Tarot não é verdadeiramente iluminada.

Uma coisa é fato, cada um emite um significado a determinado objeto ou egrégora, podendo açoitar sua origem e intuito primordial, evidenciá-la ou mesmo auxiliar em um processo natural de transformação e evolução. 

E com o Tarot não é diferente: há os que lidam com essa ferramenta com respeito e responsabilidade ou quem utilize de forma equivocada e inconsequente. 

O tarô como ferramenta do autoconhecimento

Podemos dizer que o Tarot é um oráculo à serviço do inconsciente, pois é perfeitamente capaz de acessar a nossa parte mais profunda e inteligente. Isso é feito graças a sua rica simbologia arquetípica

Por isso, uma porta cheia de símbolos se abre a partir do Tarot e, por meio de seus significados já conhecidos pelo inconsciente coletivo, juntamente aos significados peculiares estabelecidos pela própria visão que se apresenta ao observador, é possível dar um mergulho profundo ao que ainda está desconhecido.

O Tarot como ferramenta do autoconhecimento nos ajuda a compreender, aceitar, honrar e ressignificar nossos próprios conteúdos, assumindo assim o nosso lugar sagrado no mundo

De acordo com a Dra. Irene Gad, psicóloga junguiana e taróloga, o Tarot lida com uma área na qual a alma hesita entre o corpo e o espírito, construindo dessa maneira, uma ponte entre os mundos interior e exterior. 

Em 1860, o ocultista e escritor francês, Eliphas Levi, escreveu sobre a existência de um livro que, apesar de muito popular era também o mais desconhecido e o mais oculto de todos, porque continha a chave de todos os outros. 

Segundo ele, consistia em uma obra monumental e singular, simples e forte como a arquitetura das pirâmides: “Livro que resume todas as ciências e cujas combinações infinitas podem resolver todos os problemas. Talvez a obra prima do espírito humano e, seguramente, umas das coisas mais belas que a antiguidade nos legou, o Tarot.”, orientou Levi.

É dessa forma que afirmamos com clareza que o Tarot não é um mero oráculo, mas um autêntico livro alquímico destinado a transmutar a alma humana. Consiste em um poema universal cujos os 78 versos podem rimar entre si indefinidamente.

O tarô e o encontro com a alma: como acontece?

Dessa maneira, o Tarot é capaz de nos ajudar a entrar em ressonância com a profundidade de nossa alma, que se comunica por meio de símbolos e sinais repletos de sincronicidades. 

Ou seja, suas escolhas no Tarot podem trazer associações imediatas a determinadas questões que sua mente racional e consciente vem buscando se proteger. Isso acontece pois o ego não suporta as transformações e fará toda a força contrária para impedir que a luz entre.

Logo, por meio do Tarot, o inconsciente se manifesta por meio de mensagens que, até um mergulho mais profundo, estavam escondidas. Por isso, se você busca o autoconhecimento e escolhe por acessar sua sombra e traumas que bloqueiam a evolução do seu ser, o Tarot é capaz de lhe apresentar essas questões por meio dos símbolos arquetípicos presentes nas lâminas do baralho.

Uma sementinha no mundo

Como uma semente, chegamos a este mundo. Uma árvore amazônica traz na sua semente toda informação que necessita para desenvolver-se e tornar-se sadia e frondosa, cumprindo sua importante função na floresta. 

Assim, trazemos em nosso âmago todas as informações necessárias para construir nossa felicidade e crescimento. Entretanto, é necessário estar em contato com esta semente, relembrá-la, torná-la presente e reconhecê-la familiar, já que infelizmente, com o tempo perdemos este referencial e passamos a buscar tudo externamente. 

A partir do Tarot, abrimos um caminho possível para entrar em contato com a semente e, então, nos conectarmos com a verdadeira essência.

Desde os primórdios: reconhece-te!

E olhar pra dentro, conversar com a alma, desabrochar a verdadeira essência não é novidade para o ser humano. 

Ora, desde a antiguidade, a inscrição das varandas do tempo de Delphos, um oráculo muito popular no século VIII a.C., já nos orientava: “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.” 

Além disso, no século XVII, o polonês naturalizado alemão, Ângelus Silesius, chegava à seguinte conclusão: “Volte-se para a alma durante sua viagem; você não encontrará a pedra da sabedoria em terras estrangeiras.” proferiu o padre, filósofo, médico e católico.

Considerando também que somos produtos de nossos próprios valores e sendo que a maioria deles são elaborados a partir de fatores externos e filtros sociais, concluímos que esses mesmos valores e crenças definem nossas decisões e, consequentemente, o trilhar de nossa caminhada. 

Dessa forma, o Tarot também pode nos ajudar a compreender e ressignificar os contextos que mais estejam alinhados ao nosso propósito de vida.

Um oráculo para a centelha divina

Sem dúvida, o Tarot pode ser considerado como um oráculo do inconsciente, já que nos proporciona ampliar a visão sobre nossas realidades interna e externa

Na antiguidade, o oráculo era considerado uma fonte onde se consultava uma divindade em busca de respostas. Da mesma forma, é o Tarot. 

É tão verdade que em uma abertura, o consulente é visto pela sua própria divindade: a centelha divina e a imensidão de seu Ser superior repleto de imensa sabedoria e profundidade. É essa faceta de seu ser que irá guiar o caminho consciente do consulente.

Por isso, acessar a imensidão de cada um é fundamental para a clareza na tomada de decisões, assim como para o trilhar dos caminhos mais desafiadores da jornada da vida. 

No entanto, como quase sempre estamos limitados a fazer esse mergulho e passamos a reduzir nosso poder somente apenas ao campo mental e consciente, o Tarot pode ser utilizado como uma luz que esclarece aquilo tudo que insiste em se esconder.
A partir disso, se o seu intuito é buscar autoconhecimento, escolha por uma abordagem do Tarot que siga essa base: levar o consulente à autoconsciência de si mesmo, de forma amorosa e elevada, destinada sempre ao Bem Maior.

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