Os arcanos maiores do Tarô e suas representações arquetípicas

Os arcanos maiores do Tarô e suas representações arquetípicas

Descubra a riqueza arquetípica e simbólica dos Arcanos Maiores e sua influência na jornada do autoconhecimento

Bem-vindo(a) a uma jornada fascinante pelo mundo dos Arcanos Maiores do Tarô, repleta de arquétipos e símbolos que desvendam segredos profundos sobre nossa natureza humana. Neste artigo, mergulharemos na riqueza dos Arcanos, desvendando suas representações simbólicas.

A “viagem” do Arcano sem número – O Louco

O principal arquétipo do Tarô é representado pelo arcano sem número, chamado de Louco, mas, na realidade, concebido como o puro ou o imaculado.

Representa o arquétipo da inocência e da liberdade, do Self (Si mesmo) e sua contraparte, o Ego desperto, para empreender sua grande jornada. É governado pelo desprendimento, pela entrega ao momento presente, o eterno agora. Representa nosso estado inconsciente, profundo e compulsivo, desprovido de bússola ou qualquer outro método limitante. O Louco em sua viagem egoica, observa os demais arquétipos, podendo aprender, assimilar ou surpreendentemente irromper o caminho e mudar de direção, conforme sua libido (energia psíquica) o requisite.

O arcano sem número, imbuído de suas quatro funções psíquicas; da sensação, representada pelo naipe de Ouros; do pensamento, por meio do naipe de Espadas; do sentimento retratado pelo naipe de Copas e da intuição, inspirada pelo naipe de Paus; 

Vale dizer que este arcano se relaciona também com os tipos psicológicos da humanidade, que estão representados pelas dezesseis figuras da corte, em seus quatro personagens; o Pajem; o Cavaleiro; a Rainha e o Rei; repetidos, cada um, nos quatro naipes dos arcanos menores do Tarô.

Nesta jornada simbólica e arquetípica, o arcano sem número, visita os demais vinte e um arcanos, cada qual representando um fundamento imagético, uma ideia arcaica. 

O primeiro conjunto de arcanos, divididos em três septenários, equivale ao plano dos arquétipos, e inicia-se pelo Mago (I), o arquétipo da iniciativa, da comunicação, onde experimenta também, a essência do masculino. 

Em seguida lida com a Papisa (II), representando o arquétipo da virgem, da sábia, vive então, a essência do feminino. 

Seguindo encontra a Imperatriz (III), o arquétipo da mãe, da abundância e encontra colo e nutrição.

Mais adiante depara-se com o Imperador (IV), o arquétipo do pai, da liderança consciente, compreendendo algo valioso, sobre como concretizar suas ideias e intenções. 

Continuando, lida com o Papa (V), o arquétipo do professor, do santo, do ensinamento, entende que precisa aprender mais sobre a vida e sua dimensão espiritual.

Em seguida, entra em contato com os seus próprios processos emocionais, com o arcano dos Enamorados (VI), realiza o arquétipo das escolhas, da encruzilhada, aceita que é preciso escolher, decidir, considerando também o que sente, não somente o que pensa.

Finalmente chega ao final da primeira etapa da sua viagem, entrando em contato com o arcano do Carro (VII), o arquétipo da partida do herói; certo de suas conquistas egoicas, está pronto para entrar em contato com a humanidade e depois com o plano da natureza.

No segundo momento desta caminhada, no plano da humanidade, encontra-se com o arcano da Justiça (VIII), que representa o arquétipo do juiz, do justo; começa a delinear os limites que lhe são impostos pelas outras pessoas, compreendendo também seus próprios limites.

Continua e chega ao arcano do Eremita (IX), o arquétipo do velho sábio, da busca pela verdade, e se aconselha, aproveitando as diversas experiências deste arcano, das quais pode se aproveitar para facilitar seu caminho. 

Ao continuar, depara-se com a Roda da Fortuna (X), o arquétipo da fortuna, da bem-aventurança, experimenta os altos e baixos da vida, mas entende que o vetor resultante, será sempre positivo.

Mais adiante, descobre uma força que desconhecia, no arcano da Força (XI), o arquétipo da briga com o dragão, o aspecto feminino do arcano do Carro (VII), uma força sutil, capaz de ativar sua verdadeira presença e autoconfiança para continuar sua caminhada.

Ato contínuo, entra em contato com a necessidade de parar, no arcano do Pendurado (XII), indicando o arquétipo da prisão, da rebeldia, da parada; uma rebeldia pacífica capaz de produzir foco para seu interior, além de revelar outras nuances da realidade.

Após essa significativa experiência, o Louco aprende como transformar-se e transformar o mundo; entra em contato com o arcano sem nome (XIII), o arquétipo da transformação, da metamorfose, lida com a necessidade de abandonar o que não tem mais valor ou significado, para que o novo aconteça.

Chega então, no último arcano, desta segunda fase, a carta da Temperança (XIV), representando o arquétipo do equilíbrio, da harmonia, da cura, onde aprende sobre equilibrar-se diante das polaridades e dos paradoxos da vida, temperando as polaridades, harmonizando suas luzes e sombras.

A partir deste momento, o Louco, entra em contato com a terceira e última etapa de sua jornada arquetípica, que simboliza o plano da natureza, com os sete últimos arquétipos relacionados às forças da natureza.

A primeira carta revela o arcano do Diabo (XV), o arquétipo do adversário, da tentação e do prazer; a força de sua própria natureza, de difícil controle, mas possível de conviver.

Ao descobrir que sua natureza, possivelmente, seja o seu maior desafio, sente um raio, que abala suas estruturas, diante do arcano da Torre (XVI), entende que o que antes pensava ser sólido, foi destruído; este é o arquétipo da destruição e da reconstrução; corajosamente abandona este lugar e segue resoluto. Percebe que o raio ao atingir sua torre, o colocou em contato com o arcano da Estrela (XVII), que representa o arquétipo da oportunidade, da esperança e da fé, uma noite estrelada que promete mudança de rumos.

A jornada não cessa; nosso viajante, vê o céu escurecer, onde havia estrelas, dá lugar a tênue luminosidade da lua; no arcano da Lua (XVIII), com seus mistérios, representando o arquétipo da noite, da sombra e da arte, pôde experimentar as emoções à flor da pele, as paixões, medos e inspirações.

Mas a noite nunca dura para sempre, o sol sempre nasce; o arcano do Sol (XIX), o arquétipo do dia, da luz, da criança, torna tudo transparente, visível; um encontro com a alegria, que retrata o combustível da vida. 

Assim continua seu caminho e está próximo a encerrar mais um ciclo. Depois do condicionamento do diabo, do raio, das estrelas, da lua e do sol, ele chega no arcano do Julgamento (XX), o arquétipo da rendição, da ressurreição e da salvação, encontra-se numa perspectiva mais madura diante da vida, onde a síntese pode ser compreendida como um renascimento que o prepara para o ponto final e, ao mesmo tempo, uma estação para um novo começo. 

Chega finalmente no arcano do Mundo (XXI), que representa o arquétipo da unidade, do reencontro do paraíso; integra-se, realiza aquilo que concebeu e está diante de um novo ponto de partida, que possibilitará reencontros e novas nuances dos arquétipos que agora conhece parcialmente, compreendendo que os arquétipos serão preenchidos com as suas vivências e experimentações.

Dividindo-se em três etapas – o plano dos arquétipos, o plano da humanidade e o plano da natureza -, a jornada do Louco é uma jornada de aprendizado, crescimento e transformação. Cada arcano revela uma faceta do ser humano e proporciona insights valiosos sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor.
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